terça-feira, 26 de março de 2013





                        A NOSSA PESTE


E calhou que nos trancos e barrancos de umas obras em casa, ponderando eu a remanescente validade de alguns papeis velhos, dei com um número de uma grande revista das antigas, a Seara Nova, onde se transcrevia uma carta de Wenceslau de Moraes ao seu amigo Lopes de Mendonça.

                           

 A carta é enviada de Kobe, Japão, onde Moraes vivia, como se sabe, e tem data de Maio… de 1911. 


A nossa tragédia de existir como nação já era então evidente aos espíritos mais lúcidos. Diz assim a carta:
Mas de todos os agonizantes é a nação portuguesa a que mais agoniza Porquê? Sejamos francos: povo sem princípios honestos, formado pela aventura e continuando sempre na aventura; muito arrojado, mas seguindo sempre uma moral de rapina; as conquistas,os enormes lucros ganhos sem trabalho, depois as colónias. Tudo isto tem sido a nossa peste. Ilustração nenhuma, cultura nenhuma, ideal nenhum, e sobre isso a enormíssima pressão dissolvente do fanatismo religioso. Ajunte-se a fatalidade do clima. Que pode fazer de bom uma nação que tem vivido nestas circunstâncias? Nada.



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